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SACOS DE PLÁSTICO: NÚMEROS DA NOVA REVOLUÇÃO VERDE
Por Anabela Pinto (Professora), em 2015/02/16191 leram | 0 comentários | 54 gostam
Por minuto são utilizados muitos sacos de plástico (cerca de um milhão) leves no mundo. Por ano, circulam 100 mil milhões na Europa e Portugal é um dos países europeus onde são mais utilizados e apenas uma vez, durante 25 minutos.



  Os números são chocantes, mas não revelam toda a história. Uma investigação da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, realizado durante 2010 e 2014, revela que os sacos estão no topo da lista dos materiais que poluem as praias portuguesas – dos mais de 11.000 objetos recolhidos, 97% eram plásticos.
  “A produção, transporte e tratamento é responsável pelo consumo de muitos recursos, incluindo água e petróleo. Em aterro, misturam-se com os resíduos; no ambiente podem permanecer mais de 300 anos”, explicou ao Diário Económico, esta sexta-feira, Nuno Lacasta, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
  Quando hoje lhe pedirem €0,10 por um saco de plástico leve, pense que existe uma razão bem objetiva: os sacos de plástico prejudicam gravemente o ambiente e todos pretendem ver-se livres deles, das autoridades aos ambientalistas, e, provavelmente, até as empresas de distribuição.
  Ainda que o Governo pretenda arrecadar €40 milhões com a nova taxa dos sacos de plástico, na sequência da reforma da Fiscalidade Verde, a principal razão para a taxação dos sacos é a ambiental. Idealmente, o Governo pretende que os consumidores utilizem sacos reutilizáveis para levar as suas compras para casa.
  As experiências internacionais dizem-nos que este é o caminho a seguir: na Irlanda do Norte, a utilização de sacos de plástico diminuiu 72% e a União Europeia estima que uma taxa idêntica nos seus Estados-membro reduziria em 80% a utilização destes sacos. No resto do mundo, aliás, há cada vez mais registos de medidas idênticas: da Califórnia e pequenas cidades norte-americanas a Porto Rico, Reino Unido ou Nova Deli.
  Depois de anos e décadas a usarmos quantos sacos de plástico queríamos, há que parar para refletir: queremos continuar nesta via? Assim, a taxa servirá unicamente como dissuasor para a compra exacerbada de sacos de plástico, uma vez que alguém tinha de dar o tiro de partida para uma nova era comportamental.
  É normal que, nos primeiros dias, estranhe os sacos de plano, papel ou ráfia. Depois, certamente, irá utilizá-los de forma natural. É assim que as grandes mudanças acontecem, com o hábito. E se a nova taxa terá dado pouco tempo aos operadores de super e hipermercados para mudarem, a verdade é que todos eles arranjaram forma de proporcionar ao consumidor uma solução para o problema do novo preço dos sacos de plástico – nem que para isso tenham de ter encontrado uma nova oportunidade de negócio.
  As farmácias não vão onerar os consumidores e as outras partes interessadas, como a Sociedade Ponto Verde, há muito se vêm a preparar para este problema.
  O que sobra? A indústria do plástico. Esta será, na verdade, a principal prejudicada com a nova taxa. Ainda que, no que toca ao ambiente, esta nova taxa seja o caminho a seguir.É impossível não pensar nas dezenas de empresas e centenas de trabalhadores que irão sofrer com o novo paradigma dos sacos de plástico em Portugal. Ainda assim, só o futuro dirá até que ponto esta crise anunciada se transformará em efetiva e como.

http://greensavers.sapo.pt/2015/02/15/sacos-de-plastico-todos-os-numeros-da-nova-revolucao-verde/ (adaptado), 16-02-2015


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