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Concurso de escrita - "Uma aventura de Natal" (9)
Por Isilda Monteiro (Professora), em 2014/12/10258 leram | 0 comentários | 57 gostam
Parabéns, Joana Gonçalves do 9.ºD
Lá estava eu outra vez atrasada! Mas por que é que tinha que ser sempre eu? Mal toquei à campainha, a minha mãe correu para a porta e, quando a abriu, reparei que toda a família já tinha jantado e preparava-se para começar a levantar a mesa. Mas deixem-me recuar no tempo, para perceberem o que aconteceu.
Era dia 23 de dezembro e eu estava numa fila infernal, dentro do carro, a tentar chegar a casa. Buzinadelas de um lado, taxistas exaltados e apressados do outro; era assim o trânsito em Nova Iorque. Desde que emigrei para aqui, que já não via a minha família em Portugal há dois anos e já não conseguia estar mais tempo sem os ver.
Quando cheguei a casa do trabalho, preparei a minha mala de viagem com roupa para duas semanas e fui esperar o táxi que me ia levar ao aeroporto JFK.
Já no aeroporto, decidi tirar a mala do táxi, mas enquanto o fazia… Splash! Um carro que conduzia a alta velocidade, ao passar numa poça de água, molhou-me toda. Como o meu voo era dali a uma hora, resolvi que me ia trocar depois de fazer o check in.
Faltava meia hora para embarcar e eu já só pensava em chegar a casa, estar com a minha família, sentir o cheiro a canela e ver a minha pequena irmã, que devia estar ansiosa também para me ver. No aeroporto, ouviam-se vozes em altifalantes a anunciar os voos e, quando chegou ao meu, foi anunciado:
- O voo para o Porto será antecipado dez minutos.
Ao ouvir isto, comecei a preparar-me para entrar, mas deu-me repentinamente a vontade de ir à casa de banho. Quando chego lá, decidi apressar o passo e não reparei numa aviso de um amarelo garrido que dizia: “CUIDADO: piso molhado”. Num suspiro, senti-me a escorregar no chão, e uma dor no meu pé sobressaltava-me.
- Ajude-me!- gritei eu para a senhora que lá estava a fazer a limpeza.
Logo após ela me ter socorrido, fui levada para o médico que se encontrava no aeroporto e, mal ele viu o meu tornozelo mais saliente, apontou os seus palpites para uma entorse. Mais um contratempo! Expliquei-lhe que tinha que apanhar o voo, mas ele respondeu que tinha que ficar mais um pouco lá, para ele me fazer o curativo.
Eram 22.00h e eu, cheia de dores, esperava mais uma vez pelo meu voo, que seria às 24.00h.
Já no avião, sentia-me finalmente relaxada. Pus uns headphones e comecei a tentar ver o filme que passava no pequeno ecrã. Mas, de repente, senti uns pequenos pontapés nas costas. Olhei para trás e reparei que era uma criança muito divertida a pontapear a minha cadeira. Bonito! Uma viagem com dores, pontapés nas costas e… um homem que ressonava à minha beira!
Finalmente, acabou. Já eram 20.00h, quando cheguei e, após esta grande aventura, só queria descansar. A minha família já tinha jantado e tinham guardado um pouco de bacalhau para mim. Na casa também se sentia o cheiro a rabanadas, mas eu estava tão cansada que, pela primeira vez na vida, decidi não comer nada e ir para a cama descansar. Mas que Natal!

                                                                             Joana Gonçalves - 9.º D


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