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Concurso de escrita - “Uma Aventura de Natal” (8)
Por Isilda Monteiro (Professora), em 2014/12/09325 leram | 0 comentários | 153 gostam
Parabéns, Ana Sofia Lima do 8.ºB!
1989
É véspera de Natal, o tão esperado dia 24 de dezembro de 1989. Enfrentando o desprezível frio característico desta época, os habitantes da bela cidade do Porto saem à rua, uns para fazerem compras de última hora, outros simplesmente para apreciarem as ofuscantes luzes que animam a cidade. Este ano, esmeraram-se nas decorações!
Tu és um desses habitantes que caem no grupo dos que se esqueceram de comprar uma pequena lembrança para alguém com quem não falas muito, mas que todos os anos te oferece uma prenda. Havia, portanto, que lhe comprar algo e fazer valer a cortesia que sempre te caracterizou. Além disso, esse alguém, simpático e amigo nos momentos necessários, valorizava-te!
Enquanto percorrias aquelas discretas lojas que passam despercebidas durante o resto do ano (mas que dão jeito quando precisas urgentemente de uma prenda apressada), quase que tropeças num letreiro colocado inconvenientemente no meio do passeio. O pequeno letreiro, porém, chamou-te à atenção, até pelas cores muito natalícias - “Prendas de último minuto para aquele amigo que te esqueceste de pôr na lista de compras de Natal”. Sendo exatamente essa a tua situação, entraste na humilde lojinha ao pé do sinal. Apesar de ser um bocado deprimente – em parte por causa dos tons de cinzento predominantes, mas principalmente pelo sinistro calafrio de que foste vítima mal abriste a porta –, decidiste explorá-la, pois o teu tempo era escasso e a tua amiga não era a tua única prioridade.
- É só para despachar! – murmuraste, num som que ressoou naquela loja deserta.
Encontraste algumas lembranças engraçadas, como um colorido pinheiro feito de arame onde se podia pendurar as joias, mas nenhuma te convencia, nem encaixava no teu (baixo) orçamento. Dirigiste-te ao balcão, que se encontrava vazio, abandonado por um funcionário irresponsável, que, pelos vistos, nem sequer pensara na possibilidade de decorrer um assalto no período da sua ausência. Dado o aspeto da loja, porém, até não seria de surpreender que qualquer criminoso passasse por ela sem sequer a considerar um alvo plausível!
Enquanto procuravas por uma espécie de campainha, do estilo das que se encontram num hotel, para chamar o funcionário, o teu olho aterrou numa pequena caixinha no canto do balcão. Sendo tu uma “mente curiosa e insaciável”, como te descreves a ti próprio como desculpa para a cusquice, não conseguiste resistir a espreitar para a etiqueta.
O que viste, porém, apanhou-te desprevenido:
“Para: Paula
Desejo-te um Feliz Natal. Que venha mais um ano de felicidade e sucesso.
Ass.: L. Silva, 24/12/1989”
O teu nome e o nome da tua amiga, na etiqueta de um presente numa assustadora loja na baixa do Porto… Não era possível!
- Não é possível! – repetiste, desta vez, em voz alta.
Pegaste na prenda, que quase deixavas cair devido ao incessante (e violento) tremor das tuas mãos. Outro calafrio. Substituindo a prenda na tua mão pela tua carteira, retiraste de lá uma velha e amassada nota, cujo valor nem te preocupaste em verificar, e atiraste-a para cima do desgastado balcão. Ao mesmo tempo que guardavas a prenda na mala, o sonoro barulho da caixa registadora ecoou na loja, seguido por um brusco puxar da nota, que aparentava ter sido forçada para dentro dela.
Num sobressalto, as tuas pernas pareciam ter começado a funcionar novamente, permitindo-te sair num ápice daquela amaldiçoada loja.
No caminho para casa, percorrendo as movimentadas ruas da mais encantadora cidade do país e evitando todas as lojas que no teu caminho se cruzavam, não conseguias parar de pensar que não, para o ano, não te irias esquecer da tua amiga Paula. Teria sido um aviso? Uma lição? É que os amigos nunca devem ser esquecidos e tu tinhas-te esquecido de alguém que nunca se esquece de ti!


Ana Sofia Lima, 8.º B
novembro de 2014


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