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D. Quixote de La Mancha II
Por Pedro Gonçalves (Aluno, 8º A), em 2014/01/22722 leram | 2 comentários | 112 gostam
Na aula de Português, após a leitura de um excerto de «D. Quixote de la Mancha» de Miguel Cervantes, em que o Cavaleiro enfrentava um exército de moinhos, foi-nos proposto que escrevêssemos um texto com D.Quixote a enfrentar um exército de ovelhas!
Mal o sol raiava, o Vale da Memória ganhava vida. Os artesãos e comerciantes abriam as portas enferrujadas das suas oficinas, num tom ruidoso, captando assim a atenção de quem circulava.
Enquanto isto, D. Quixote e Sancho Pança cavalgavam freneticamente em direção ao Vale.
- Sancho! Sancho! Repara, meu rapaz, saberia eu perfeitamente que durante esta extensa viagem haveríamos de lutar.
- Porquê, Vossa Mercê? – indagou ele, num ar bastante confuso. – É desta que o meu amo ficou fora de si!
- Que indelicado, vê-se mesmo que tens origens camponesas. Homens que têm dívidas aos Senhores de cofres fartos.
- Perdoai-me, meu amo, pois hoje estou um pouco carrancudo. – desculpou-se Sancho. – Explicai-me então a sua frase erudita.
- Nunca ouviste falar da técnica Ovelhina? Aquela técnica usada pelos bandidos memorianos* que se mascaram de ovelhas, parecendo um amável e inofensivo rebanho? Mas quando menos esperas….. ZAU! Aproximam-se de ti, tiram as máscaras e saqueiam todos os teus pertences! – exclamou D. Quixote.
- Meu senhor, nunca ouvira falar de tal artimanha. Não terá sonhado?
- Cala-te, rapaz ! Cada vez dizes mais imundices! Temos de atacá-los o quanto antes, para que não nos roubem. – interrompeu o seu amo.
Pegaram, velozmente, nos seus escudos e lanças tão brilhantes que ofuscavam a visão, prepararam a armadura e……
- Guerra ! – aclamou, euforicamente, D. Quixote.
Para azar deles, o pastor, que acompanhava o rebanho, já tinha sido um valente soldado e não se deixava ficar. Então, fingiu que o cajado era um cavalo e rumo a eles!
Rocinante, o cavalo de D. Quixote, e Marujo, o burro de Sancho, fugiram, mal viram as ovelhas, pois já tinham sido alvos de cócegas provocadas pela lã delas. Ao ficarem sem montada, D. Quixote e Sancho Pança rapidamente se viram indefesos, acabando por serem abalroados pelo rebanho.
Ambos permaneceram inconscientes no chão por duas longas horas. Ao acordarem, ainda um pouco atordoado, Sancho afirmou:
- Eu bem avisei que não era um bom feito atacar as ovelhas, elas ameaçadas podem ser perigosas!…
Num ar de superioridade D. Quixote respondeu:
- Efetivamente, fomos “derrotados”, mas, também, com um cavalo e um burro insolentes e traidores como os que nos acompanhavam, ninguém leva avante. Sorte… Sorte… Foi o que lhes deu a vitória, meu caro, pois dois cavaleiros como nós, caso estivessem bem equipados, certamente que conseguiriam tal proeza!
Recolheram os seus pertences e retomaram o caminho para Vale da Memória.
Indubitavelmente, D. Quixote estava arrependido, mas admiti-lo? Não era com ele. E, assim, acabou mais um dos falhanços de D. Quixote e do seu fiel companheiro, Sancho Pança.

*Memorianos: habitantes do Vale da Memória.

Diana Cruz e Sofia Cardoso -8.º A


Comentários
Por Anabela Pinto (Professora), em 2014/01/25
Muito engraçado!Gostei muito!
Por Isilda Monteiro (Professora), em 2014/01/23
Penso que Miguel Cervantes gostaria de ler o vosso episódio. Eu adorei!

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