Lavrando Pa
Pesquisa

A minha história? É linda!!!!
Por Isilda Monteiro (Professora), em 2013/01/29499 leram | 0 comentários | 88 gostam
É uma senhora com 73 anos. Com origem em Paiço, atualmente Maria Ribeiro vive com a sua família na Praia de Angeiras e tem uma história de vida que todos devem conhecer.

   Aurora e Leonor - Dona Maria Ribeiro, andou na escola, sabe ler?
   Maria Ribeiro - Não, nunca andei na escola, mas sei escrever o meu nome!
   A.L. -Como é que aprendeu a escrever?
   M.R.-Com as minhas filhas.
   A.L.- Como é que elas a ensinavam?
   M.R.-Escreviam num papel e eu copiava letra por letra.
   A.L.- Quantos filhos tem?
   M.R.-Tenho quatro filhos, sete netos e três bisnetos.
   A.L.- Já agora, gostava de ter um trineto?
   M.R. -Gostava, enquanto estou viva, gostava muito.
   A.L.- Com que idade começou a trabalhar?
   M.R.-12 anos.
   A.L. - O que é que fazia?
   M.R.-Andava à sardinha.
   A.L.- Conte-nos um pouco da sua história, durante a sua juventude.
   M.R. -A minha história? É linda!!!! Antes de conhecer o meu marido, andava à sardinha, vinha para casa mais a minha mãe, fazíamos o comer, era numa panela de três pernas e lenha por baixo. Fazíamos uma panela de sopa e chouriça preta. A colher não encaixava bem na panela (riso geral). E andávamos nisto, ia à casa dos lavradores, para tirar erva, tomar conta do gado… Íamos para lá e só à noite vínhamos embora de trabalhar. A gente ia aos lavradores pedir comida e tínhamos a panela cheia.
   A.L. – Agora, conte-nos como conheceu o seu marido e como foi a sua vida de casada.
   M.R. -Vim para a Praia de Angeiras, pois morava em Paiço. Conheci o meu marido, quando andávamos a jogar à macaca, ali no largo da praia. Depois ele veio ter comigo, começou-me a dar conversa, depois fomos para minha casa conversar e namorar. O meu pai chegou a casa e viu-me a mim e ao meu futuro marido a darmos um beijo e, quando ele foi embora, o meu pai bateu-me.
   Depois eu casei com ele (o marido), ele abeiçou-se ao vinho e deu-me maus tratos. Além disso, levei a minha vida normal, um dia melhor, outro pior, uma vida muito ruim para criar os meus filhos.
   A.L. –E, agora, gosta da sua vida?
   M.R.- Agora gosto, porque ele morreu. (riso geral) Passei muitos trabalhinhos, passei… Ele andava ao mar e chegava bêbado. Às vezes, queria para comer e não tinha. E foi isto a minha vida, um dia melhor, outro pior… Deixou o mar e foi para a estiva, quando vinha da estiva já vinha com a pinga, bebadinho… Entrava por lá dentro, pegava comigo e andávamos nisto.
   Chegou a um ponto em que ele achou-se doente, morreu e eu, agora, estou bem de vida. Vivo com a minha filha e ela vive comigo.
   A.L.- Gostava de poder voltar atrás e mudar a sua vida?
   M.R. - Agora estou velha, já não conseguia mudar.
   A.L. - Não é isso, era se gostava de remediar algum ato cometido?
   M.R.- Não mudava, nada.
   A.L. -Gosta da sua família?
   M.R.- Sim, dou-me bem com todos e mimo-os a todos.

Obrigada!

Entrevista conduzida por Aurora e Leonor, alunas do 8.ºB


Comentários

Escreva o seu Comentário