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A minha avó Judite
Por Isilda Monteiro (Professora), em 2012/12/11484 leram | 0 comentários | 86 gostam
A avó Judite nasceu a 22 de Janeiro de 1941 em Provezende, Sabrosa. Vivia com a família numa quinta. Tirou o curso de corte e bordados na SINGER em 1957. Foi uma grande costureira. Em 1974 casou com o avô Fernando e foram viver para Leça da Palmeira.

   A minha avó chama-se Maria Judite Teixeira Cavaleiro, nasceu no dia 22 de Janeiro de 1941 e é natural de uma pequena aldeia de Vila Real chamada Provezende, do concelho de Sabrosa.
   Ela, o seu irmão Francisco e os seus pais viviam numa quinta que era afastada da vila. Na quinta, eles viviam do cultivo da uva (para fazer o vinho) e da azeitona (para fazer o azeite). Também cultivavam legumes para consumo próprio (batata, cenouras, couves, feijões, etc.) e criavam animais de quinta como galinhas, porcos e coelhos.
   Tirou o curso de corte e bordados no Departamento Educativo da SINGER em 1957, tornando-se assim uma grande costureira.
   A sua vida mudou a partir do dia 28 de Abril de 1974, quando ela casou com o meu avô Fernando e foram viver para Leça da Palmeira.
   Miguel: Como é que conheceu o avô Fernando?
   Avó Judite: Eu conhecia-o desde pequena, pois éramos da mesma aldeia.
   M: Como é que começaram a namorar?
   A.J. : Foi por carta que o avô me pediu em namoro e foi por carta que namoramos, pois ele estava na guerra em Angola e eu fiquei na aldeia.
   M: Por que é que casou só aos 33 anos?
   A.J.: Porque a minha mãe estava encamada e eu tive de tomar conta dela até à sua morte.
   M.: Onde é que se casaram?
   A.J.: Em Provezende.
   M: Por que é que depois do casamento vieram viver para Leça da Palmeira?
   A.J.: Porque os meus pais tinham falecido, o meu irmão vivia em Lisboa e nós queríamos uma vida diferente da do campo.
   M: Conhecia alguém em Leça da Palmeira?
   A.J.: Sim, a minha melhor amiga Fátima e o seu marido Sérgio que nos ajudaram imenso, quando viemos viver para o Porto.
   M: A avó só trabalhou como costureira?
   A.J.: Não, também trabalhei como empregada doméstica em casas particulares.
   M: Por que é que só teve um filho?
   A.J.: A vida era muito difícil e eu vivia numa casa arrendada que era muito pequenina, com apenas um quarto. Só em 1987 é que fui viver para Lavra, onde construí a minha própria casa. Nessa altura, o teu pai já tinha 12 anos e eu tinha 46 anos, que era uma idade perigosa para voltar a engravidar.
   M: Por que é que deixou de trabalhar?
   A.J.: A partir dos 50 anos comecei a sentir-me muito doente e em 1994 foi-me diagnosticado, no IPO do Porto, um LINFOMA (cancro no sangue). A partir daí, tenho vindo a ser submetida a vários tratamentos desde quimioterapia e radioterapia.
   M: A quantos tratamentos foi sujeita?
   A.J.: Em 1994, 1999 e 2006 fui sujeita a quimioterapia. Em 2010 e 2011 fui sujeita a radioterapia e em 2012 fiz quimioterapia oral que é em comprimidos e não tinha de me deslocar ao IPO para fazer o tratamento. Por isso já fiz seis tratamentos, todos eles diferentes.
   M: Onde foi buscar forças para sobreviver à doença?
   A.J.: Na família e na minha fé.
   As forças da minha querida avó Judite, no dia 14 de Novembro deste ano, acabaram e ela acabou por falecer às 8h30 no IPO (Instituto Português de Oncologia) do Porto.

   Esta entrevista foi feita em sua memória e com a ajuda do meu avô e do meu pai, pois ela já cá não estava para responder às minhas perguntas.

Avó Judite, nunca te esquecerei…
Miguel Correia, 8.º B


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