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Um abraço pode fazer toda a diferença - 7.ºano
Por Isilda Monteiro (Professora), em 2017/02/02405 leram | 0 comentários | 192 gostam
Numa época em que o Natal, a festa da família, se vem transformando numa festa para o comércio, convidámos os nossos alunos a escrever uma história sobre o verdadeiro espírito natalício.
Parabéns ao José, vencedor deste concurso de escrita.


Era véspera de Natal, e, como todas as famílias, a família Silva estava muito atarefada com tudo o que tinha de organizar. Era uma família rica, mas pouco dada aos outros, algo avarenta até, que valorizava apenas o seu bem-estar e conforto. A sua casa era grande, de mármore rosa, e o jardim que a rodeava era como um arco--íris de mil cores.
Havia, porém, no seio desta família, alguém que não concordava com a forma como se geria tal riqueza. Chamava-se Gabriel e era o membro mais novo. Era um rapaz simpático e afável, mas o que mais o distinguia dos restantes era o seu espírito solidário e a sua disponibilidade para ajudar aqueles que precisassem de ajuda. Enfim, era um rapaz de coração quente, sempre atento ao mundo que o rodeava.
“Neste Natal, vou doar todas as minhas prendas!” Pensava Gabriel, numa época em que todos gostam de receber presentes, sobretudo as crianças. E Gabriel recebia muitos, mesmo aqueles que não pedira. Contudo, para ele, nem todos os brinquedos que recebia lhe eram úteis, alguns até desvalorizava. Na verdade, naquela época, o que mais apreciava era a família e a certeza de que a poderia ter sempre ao seu lado. Todavia, os seus pais não entendiam o Natal assim, ou, pelo menos, não o mostravam, enchendo o filho de prendas, daquelas que qualquer criança deseja. Para eles, quanto mais dessem ao filho mais o fariam feliz.
Já se fazia noite. A ceia de Natal começava. A família, ao redor de uma grande mesa de madeira escura, começou a jantar. As criadas da mansão tinham partido para se reunirem com as suas famílias.
Gabriel jantou depressa para pensar na forma de pôr em prática o seu plano. Tinha intenções de sair algum tempo depois de se deitarem, entregar as suas prendas a um orfanato, sobre o qual já tinha investigado na Internet, e voltar a casa para descansar antes do pequeno-almoço. Não ficava longe, mas teria que ser corajoso e andar um bom bocado.
E assim foi. Cumpriu a sua intenção e viu recompensado o seu esforço!
Quando deu os seus presentes àquela instituição, sentiu-se mais feliz do que nunca. Como voltou para casa muito cedo, ainda pôde dormir mais um bocado.
Passadas umas horas, a sua mãe sussurrou-lhe ao ouvido:
- Gabriel, bom dia! Dormiste bem? É hora de abrir os presentes!
O rapaz, depois de ouvir isto, ergueu-se lentamente e espreguiçou-se. Lavou a cara, desceu as escadas e dirigiu-se à sala de jantar. Em família, tomaram o pequeno-almoço, e, de seguida, haviam de abrir as prendas. Todavia, quando o pai se apercebe de que faltam as prendas de Gabriel, chama-o:
- Gabriel, podes vir cá?
- Sim, pai... O que se passa? - responde o Gabriel, como sempre, de forma educada, mas consciente do que o esperava.
- As tuas prendas desapareceram…
- Não, não desapareceram, pai!
Gabriel sabia que o que tinha feito tinha sido importante para algumas crianças, pelo que se dirigiu aos pais de forma tranquila:
- Pai e mãe, desde criança que me dão amor, eu sei, mas esse amor, para vocês, concretiza-se na oferta de presentes, que não são mais do que bens materiais, de que depressa me encho. Há outros presentes que podem durar para sempre! Isto é, vocês oferecem-me prendas, muitas, e até demasiadas, porque pensam que ficarei tolamente satisfeito e feliz. E fico, mas só por alguns instantes, até porque sei que as compraram com amor, a pensar em mim! Mas quero algo mais importante do que esses presentes, quero amor, carinho, afeto, porque, para mim, a melhor prenda que me podem dar é estarem comigo. Estes presentes ficarão para sempre comigo, no meu coração. Estes, sim! Destes nunca me fartarei!
Durante uns segundos, o pai e a mãe olharam um para o outro, como se comunicassem, e, instantaneamente, lançaram-se a Gabriel, orgulhosos das palavras que ouviram. Os seus olhos estavam cheios de amor.
- Filho, mas afinal onde puseste as prendas? – perguntou o pai.
- Ofereci-as a um orfanato. Pesquisei sobre as crianças que acolhia, as suas necessidades e, de forma segura, dirigi-me lá, onde doei tudo aquilo que me estava destinado junto à árvore. Não é longe daqui! Hei de dizer-vos onde fica…
- Fizeste bem! - respondeu a mãe, convencida já de que o gesto do filho fazia todo o sentido.
E abraçaram-se os três com muito amor.
Um gesto especial de Gabriel que rapidamente transformou os corações daqueles pais, que passaram a ver que o melhor presente do Natal é o abraço que podem dar ao filho, abraço que poderão oferecer durante todo o ano. Este nunca poderá ser substituído pelo melhor e mais caro dos presentes.
Um abraço, um gesto simples que fará, para sempre, no coração de Gabriel, toda a diferença.
                                                
                                                   José Tomás Coelho – 7.º B


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