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Pequenos gestos fazem toda a diferença - 8.ºano
Por Isilda Monteiro (Professora), em 2017/02/02341 leram | 0 comentários | 196 gostam
Numa época em que o Natal, a festa da família, se vem transformando numa festa para o comércio, convidámos os nossos alunos a escrever uma história sobre o verdadeiro espírito natalício.
Parabéns à Bárbara, vencedora deste concurso de escrita.
Neste Natal, pequenos gestos fazem toda a diferença

Todos os natais é a mesma coisa e eu não estou a dizer que não gosto ou que estou aborrecida. Na verdade, eu gosto daquele cheiro doce pela casa da minha avó e adoro ter o meu pai ao meu lado, depois de meses sem o ver. Mas neste Natal eu não estava assim tão contente ou tolerante, porque era o primeiro Natal desde que os meus pais se separaram.
Eu estava no sofá da minha avó, sim era o sofá dela, porque ela sempre se sentava ali mesmo, tendo outros três sofás disponíveis, mas adorava sentar--me no sofá dela, quando ela não estava lá. Olhava para o meu telemóvel e fiquei a olhá-lo por uns minutos, eu sabia que a minha mãe a qualquer momento ia ficar “online” e mandar mensagem. Ela nunca me desiludia! Desviei o olhar para o meu irmão e ele estava de “phones” com o “tablet”. Olhou para mim e chamou--me, mas eu não liguei, porque estava de novo concentrada à espera da mensagem da minha mãe, então, ele bateu-me no braço e o telemóvel caiu no chão. Apanhei-o rápido e vi o ecrã rachado, mais do que já estava, falei alto para que ele me ouvisse bem:
- Não consegues estar quieto? Olha o que fizeste!
O meu pai entrou na sala, pois tinha ouvido os meus gritos e falou num tom que marcava cada palavra que dizia:
-Nem no Natal consegues ser boa para alguém? Nem para o teu irmão?
Apenas baixei a cabeça e saí da sala, pois aquele ambiente estava demasiado pesado. Então, andei pelo jardim da moradia dos meus avós e sentei--me no muro que separava a moradia dos prédios. Em cima do muro frio, as palavras do meu pai ecoavam. De repente, um barulho vindo dos caixotes do prédio despertou-me, andei até aos caixotes e vi um homem a tremer de frio. Sem falar uma palavra, tirei do bolso o dinheiro que o meu avô me deu, que me dava todos os anos, mesmo antes do Natal, e dei-o ao homem que me agradeceu.
Ninguém viu o meu gesto, mas eu também não o queria. Sei que depois daquilo as palavras do meu pai perderam o sentido, pois má é a minha atitude não o meu coração!
                                     
                                                        Bárbara Nunes, 8.ºA


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