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Pequenos gestos fazem toda a diferença -9.ºano
Por Isilda Monteiro (Professora), em 2017/02/02398 leram | 0 comentários | 194 gostam
Numa época em que o Natal, a festa da família, se vem transformando numa festa para o comércio, convidámos os nossos alunos a escrever uma história sobre o verdadeiro espírito natalício.
Parabéns à Marlene, vencedora deste concurso de escrita.
Neste Natal, pequenos gestos fazem toda a diferença

Vou contar uma pequena história que se passou comigo e que me tocou ao coração.
Estávamos a chegar ao Natal. Eu trabalhava numa instituição de crianças para adoção. Naquele momento tínhamos trinta crianças, entre elas cinco bebés.
Numa quinta-feira, durante a manhã, estive a brincar, a cantar e a desenhar coisas relacionadas com o Natal. Até que, a certa altura, um dos meu colegas aparece vestido de Pai Natal e senta-se num cadeirão. Neste momento fiquei sem crianças. Elas, mal viram o Pai Natal, foram logo a correr em fila para falar com ele. Então, o Pai Natal começou a perguntar a cada uma o que queria para o Natal. Uma minoria dizia que queria uma família para os aconchegar e dar carinho, mas diziam logo que adoravam estar na instituição e que tinham muitos carinhos. No entanto, gostavam de sentir a alegria de ter uma família. Depois, a maioria disse que gostava de receber presentes. As horas passaram e chegou o momento de se irem deitar. As crianças estavam tão contentes com a ida do Pai Natal à instituição que nem na cama estavam quietas. Dei um beijinho a cada uma e fui para casa. Durante o caminho só pensava na felicidade das crianças, quando estavam com o Pai Natal.
No dia seguinte, quando lá cheguei, já estavam todos a montar o pinheirinho e a decorar a instituição com os seus próprios desenhos. Durante a tarde ficaram exaustos, por isso decidiram fazer uma pausa e dormir um bocado.
Eu não tinha filhos, tinha apenas um marido que, de momento, trabalhava em Espanha, mas passava o Natal comigo. Durante o ano todo, as crianças é que eram a minha " família "; como tínhamos possibilidades, falei com o meu marido e decidimos dar um Natal “às minhas crianças”, tal como elas mereciam.
Fui comprar brinquedos, livros, roupa, chocolates. Depois pedi ajuda aos meus colegas para embrulhar os presentes e colocá-los por baixo da árvore, enquanto as crianças dormiam.
Quando acordaram, olharam para o pinheirinho e ficaram admiradas com aqueles presentes todos. Perguntaram-me logo se podiam abrir e eu disse que não, que o Pai Natal não deixava.
Finalmente, chegou o tão esperado dia 24 de dezembro. Este ano ia passar o Natal a Espanha, mas antes de partir, tive que me ir despedir das minhas crianças. Quando cheguei à instituição, cada uma delas tinha uma prenda para mim, mas disseram logo que o Pai Natal só me deixava abrir à noite. Eu, cheia de lágrimas de alegria, agarrei-me a elas, dei-lhes um beijinho e fui embora.
Quando cheguei a Espanha, depois de jantar, fui para o computador e por vídeo chamada liguei para a instituição. Vi a felicidade delas a abrirem as prendas...
Chegou a altura de abrir as minhas. Comecei pelas prendas que as crianças me deram. Cada uma tinha-me oferecido um quadro com uma foto minha e delas, em baixo havia uma frase: " Obrigado por seres a mamã que eu nunca tive". Todos os quadros tinham a mesma frase. Depois recebi um vídeo com todas as crianças a dizer: " Obrigado pelos presentes, pelo carinho e por todo o amor que nos dá. Fizeste deste Natal o melhor de sempre".
Claro que comecei a chorar de felicidade. O meu marido veio ter comigo, deu-me um abraço, disse que eu era uma " mãe" excelente e que tinha muito orgulho em mim e nas minhas crianças.

                                                       Marlene Duarte, 9.º E


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